17/03/2016 "Somos lo que hacemos, pero somos, principalmente, lo que hacemos para cambiar lo que somos."
                                                                             Eduardo Galeano, escritor e jornalista uruguaio.

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Todo molhado, o bilionário Bruce Wayne está saindo de um hotel abraçado a duas belas modelos com quem, minutos antes, mergulhara na fonte decorativa do restaurante onde estavam. Ao ser advertido pelo gerente de que aquilo não era uma piscina, ele simplesmente  saca o talão de cheques e compra o estabelecimento.  Então reencontra Rachel, sua amiga de infância e atual assistente do promotor.


A moça fica surpresa ao vê-lo daquele jeito, mas, em segundos, compreende o quadro, e o censura por seu comportamento irresponsável. Constrangido, Bruce diz: “Rachel, tudo isso não sou eu... Dentro de mim eu sou... mais.” Impassível, a amiga responde-lhe: “Bruce, lá no fundo talvez você ainda seja aquela ótima pessoa que era. Mas não é o que você é por dentro, é o que você faz que define você.”

Ouch!
Isso dói!!

A cena retratada é do filme Batman Begins, dirigido por Christopher Nolan, com Christian Bale e Katie Holmes como protagonistas desse diálogo. Sabemos que o comportamento de Bruce Wayne era na verdade um disfarce, calculadamente elaborado, para que não o associassem à sua identidade secreta. No entanto, como Rachel não sabia que Bruce e Batman eram a mesma pessoa, sua fala é de uma verdade cortante e por isso escolhi começar o artigo desta forma.

Quantas pessoas você conhece que dizem acreditar em certos valores, mas agem de forma completamente contrária a eles? Nas empresas, quanto isso acontece? Quantos adotam um discurso que diz  “nossos funcionários são nosso maior ativo!” mas não promovem ações que confirmem isso?
Fico impressionado ao constatar que alguns gestores ainda adotam uma forma ultrapassada, desrespeitosa, grosseira até, de se relacionar com suas equipes. Digamos que um vendedor não venha apresentando bons resultados: em vez de lhe falar em particular, fornecendo  feedback e apoio para reverter a situação, preferem uma abordagem que expõe o profissional diante de seus colegas, de uma área ou até da empresa toda, conforme o caso, gerando até processos. Curioso é que esse mesmo gestor diz, em entrevistas ou em outras ocasiões em que há pessoas de fora, que sua equipe “é tudo para ele”,  “a razão de ser de sua área”, “o motivo do sucesso da empresa” etc.

Do mundo corporativo para o familiar: quantos pais ensinam seus filhos sobre a importância de ser íntegro, honesto, de se importar com as pessoas, compartilhar, enfim... Mas, eles próprios não se comportam assim? arquivo sem legenda ou nome

O fato é que tem muita gente falando uma coisa e fazendo outra. Que diz não ser preconceituosa, não enganar, não pisar em ninguém para conseguir o que deseja, que é contra isso ou a favor daquilo... Mas, na prática, comporta-se de maneira bem diferente.

Talvez você esteja pensando: Bem, eu não sou incoerente, assim; não falo uma coisa e faço outra! Então, pergunto: Mas faz alguma coisa a respeito do que acredita? Ter convicções, apenas, não basta. Não é o que você é por dentro, é o que você faz que... Bem, você entendeu.

Estou certo que você, que está lendo este artigo, sabe o que deveria fazer para ser mais atuante e coerente com suas ideias e ideais. Não é por ignorância, que não agimos mais. Talvez, fiquemos muito nas intenções, apenas. Talvez, seja preciso mudar.

Então reflita aí, com seus botões, independentemente do papel que desempenha ou do que faça para ganhar a vida: você tem agido de acordo com seu discurso? Cumpre o que promete? Tem se empenhado para colocar em prática os valores, crenças, as coisas nas quais acredita? O que pode começar a fazer diferente, para ser alguém que realiza mais?
Afinal, não adianta ter belos ideais, nobres filosofias de vida ou elevados conceitos, se não os praticamos.

Somos o que fazemos. E o que temos feito?


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DOUGLAS PETERNELA é educador corporativo e palestrante,
undador da Flamma Treinamentos Criativos.

douglas@flammatreinamentos.com.br



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